O meu maior defeito sempre foi o excesso de comparação. Eu me comparava com tudo e com todos. Por conta desse detalhe, acabei me colocando em um lugar onde fui impedida — por mim mesma — de ser boa. Não apenas boa, de ser fantástica!
É aquele negócio: uma coisa puxa a outra, e outra, e outra também... Me coloquei num lugar alto, onde achava que todos estavam me olhando, me julgando, esperando que eu atingisse uma perfeita perfeição (sim, bem redundante e dramático).
Bom demais ser jovem e se achar o centro do mundo. Mas, pra mim, isso era um lixo. Ainda mais quando você junta essa sensação com uma autoestima meio baixa. E aí, o que fazer, meu Deus? Como suprir todas essas "expectativas"? Como atender os anseios das pessoas sobre mim? Como ser perfeita???
Sempre achei que era medrosa, que esse era o motivo de eu não conseguir me desenvolver artisticamente e profissionalmente. Minha vida sempre teve muitos inícios e incontáveis desistências. Precisei de terapia e muita troca para captar o seguinte: nunca foi medo. Sempre foi arrogância e um perfeccionismo insano.
Eu estabeleci padrões tão elevados e irreais que nunca poderiam ser alcançados. E, por não alcançá-los, era óbvio que jamais seria aceita. Porque, né, as pessoas estavam super se importando comigo... Então, o caminho parecia claro: me contentar com o pouco, com o "possível", com aquilo que eu conseguia fazer sem arriscar. Ser aceita - sem peso, sem julgamento.
Quanta babaquice!
Depois de 32 anos nessa indústria, cheguei ao melhor dos lugares: que se exploda o que pensam de mim. Porque, sendo bem sincera, do fundo do meu entendimento raso, ninguém tá nem aí pra mim. Nem de forma negativa, nem de forma positiva. Simplesmente, de forma nenhuma. Estamos todos preocupados em protagonizar nossas próprias histórias.
E é libertador entender que, quando ninguém se importa, não temos nada para atingir. A única aprovação é a nossa (a mais difícil e agradável de ser conquistada). Posso fazer arte, fazer música, trabalhar a fim de me surpreender e atingir as minhas próprias expectativas. Faço bem feito, por mim. Bom demais!
Tudo é um processo, eu sei, mas tenho gostado tanto de agir de forma mais consciente, mais prática e muito mais ousada. Sei que essas mudanças têm muito a ver com a idade. Envelheci, amadureci e, agora, posso me preocupar com outras coisas. Já passei pela fase de "ser lançada". Agora, estou à deriva na vida, vivendo. E a vida é tão simples, cheia de problemas e desafios, mais ainda assim, simples. E boa. E rápida. E surpreendente!
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